Fim de semana reescreve a história do Autódromo Nelson Piquet

Foto: Lucas Bolzan

Por Renan Sardinha

O Autódromo Internacional Nelson Piquet, agora também alcunhado de Autódromo BRB, ficou 11 anos em silêncio. Mais de uma década em que a paixão dos candangos pelo automobilismo parecia guardada numa caixa, esperando o momento certo para explodir novamente.

Esse momento chegou em 2025, com a reinauguração do traçado e o retorno da Stock Car para a capital federal, que viveu três dias que ficarão eternamente gravados na história da cidade e na memória dos fãs da velocidade.

A pista voltou viva

Por vezes molhada, em outras oportunidades refletindo suas formas em momentos ensolarados, sob o céu azul do centro do país. De tímida a vibrante, como se ela própria estivesse acordando aos poucos, depois de tanto tempo adormecida. E no centro desse renascimento estavam os filhos da casa: Nelsinho Piquet, Lucas Foresti, Enzo Elias e Gabriel Koenigkan.

Após o evento de reabertura na quinta-feira (27), com a presença de autoridades, inclusive o tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, que “empresta” seu nome ao autódromo, veio o dia seguinte e, com ele, o susto, a chuva e o primeiro rugido do novo autódromo. O dia começou com a emoção do reencontro entre Brasília e o som dos V8. Mas o dia rapidamente ganhou contornos dramáticos.

Por volta das 12h30, durante o primeiro treino livre, a Stock Car viu uma batida que fez todos prenderem a respiração, quando Bruno Baptista rodou na Curva Zero e ficou atravessado na pista. JP Oliveira, chegando a 133 km/h, atingiu em cheio a lateral do carro do colega, entre a porta e a roda traseira. O impacto foi brutal, e o carro de Bruno pegou fogo na sequência.

A equipe médica agiu de imediato. Baptista sentia dores na costela, lombar e mão. Oliveira também relatava dores nas costas. No entanto, o Dr. Dino Altmann, médico-chefe da categoria, trouxe o alívio: apesar da violência da batida, ambos estavam conscientes, estáveis e bem.

Dias depois, a os boletins médicos atualizados. JP Oliveira confirmou que sofreu uma fissura na bacia e um trincado na coluna. Bruno Baptista, além de passar por uma cirurgia na mão esquerda, sofreu lesões na coluna, nas costelas e ficou com dores no corpo.

Após discussões com pilotos e representantes da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), decidiu-se manter a programação. O segundo treino foi confirmado para 16h30 da sexta-feira.

Brasilienses na pista

A chuva atrapalhou o público e trouxe desafios. E ninguém sofreu mais do que Nelsinho Piquet. Seu carro apresentou problemas sérios e quase não completou voltas úteis. O clima dentro do box era tenso: desmonta, testa, remonta e nada.

Foto: Lucas Bolzan

Ao mesmo passo em que Lucas Foresti aparecia entre os 10 melhores em vários momentos. Tudo ocorria em ritmo acelerado, mas Enzo Elias buscava ritmo, porém ainda longe do acerto ideal.

“Correndo por fora” em busca do protagonismo, Gabriel Koenigkan, na Stock Car Light, mostrava velocidade desde os primeiros treinos e dava indícios que teria um fim de semana a ser louvado.

A noite caiu, mas o trabalho não parou. Os mecânicos de Nelsinho continuavam trabalhando até a madrugada, lutando pelo carro que horas depois mudaria a história do fim de semana para os candangos.

Pole, pódio e polêmicas

Com pista ainda úmida, em razão da chuva, a Stock Car entrou para o treino classificatório no sábado. E quem iluminou Brasília foi Nelsinho Piquet. Depois de uma sexta catastrófica, ele cravou uma volta impecável, com 0s098 sobre Felipe Fraga, garantindo a pole e mudando completamente o clima da equipe.

Lucas Foresti também conseguiu um bom resultado garantindo o sétimo lugar no grid de largada. Já Enzo Elias sofreu com acidentes e a entrada da bandeira vermelha, que impediram uma boa volto do piloto do carro 73, que fechou com 24º tempo.

Ainda no sábado, foi disputada a corrida “sprint”, uma prova mais curta em relação à principal, que teve um capítulo caótico: Com muitos acidentes e entradas do “safety car”, Felipe Fraga cruzou em 11º, mas herdou a vitória depois de múltiplas desclassificações, já que muitos pilotos não cumpriram o pit stop obrigatório.

Nelsinho também foi beneficiado pelas punições e subiu ao pódio na terceira posição, atrás de Arthur Leist. Foresti foi um dos pilotos desclassificados e Enzo Elias abandonou após acidente quando tentava uma ultrapassagem dupla, complicando de vez seu fim de semana.

Sol, público e a consagração de Brasília no topo

O domingo amanheceu ensolarado. Com ingresso gratuito, o público finalmente encheu as arquibancadas — o autódromo pulsava como nos seus melhores dias. Ao meio-dia, caiu uma chuva rápida, mas já não importava. O clima era de festa.

Foto: Lucas Bolzan

A prova principal foi aquilo que Brasília esperou por 11 anos. Nelsinho Piquet teve uma vitória perfeita. Largando da pole, controlou o ritmo, defendeu quando precisou e acelerou quando era decisivo.

Uma vitória maiúscula — ainda mais especial quando Nelson Piquet, tricampeão mundial de Fórmula 1, entregou o troféu ao filho no autódromo que carrega seu nome.

Foto: Lucas Bolzan

Lucas Foresti ganhou boas posições, saindo de P7 para P3. O piloto fez uma corrida madura, agressiva e inteligente, garantindo dois brasilienses no pódio — um feito raríssimo.

Enzo Elias mostrou garra mesmo em um fim de semana adverso. Após P24 no quali, toque na sprint e pneus longe do ideal, Enzo entregou recuperação sólida e fechou em P17.

Stock Car Light

Brasília foi palco da última etapa da categoria. A primeira batalha da final, disputada no sábado, foi vencida por Rafael Martins, após segurar a pressão de Léo Reis e Felipe Barrichello Bartz, que completaram o pódio. Gabriel Koenigkan manteve ritmo competitivo e apareceu de forma constante no pelotão da frente, fechando a prova na quinta posição.

No domingo, nas duas corridas que decidiram o título, Felipe Bartz garantiu o campeonato com personalidade. Na corrida 2, o sobrinho do ex-Fórmula 1 Rubens Barrichello, Subiu ao pódio na terceira posição, atrás de Léo Reis e Rafael Martins, garantindo matematicamente a conquista.

Emocionado, o piloto ainda largou para a prova 3 e voltou a figurar no Top 3, dessa vez em segundo. Léo Reis voltou a vencer e ficou com o título na categoria “rookie”, destinada aos novatos.

Já o brasiliense Gabriel Koenigkan teve um dos melhores desempenhos de sua temporada. Segundo e primeiro colocado nas corridas 2 e 3 da categoria Estreante, sendo terceiro na corrida 3 geral, levando Brasília ao pódio na Stock Car Light. Um fim de semana maiúsculo para o representante candango.

Brasília está de volta — e voltou acelerando forte

O fim de semana da Stock Car não foi apenas a reinauguração de uma pista, foi a reconciliação de Brasília com seu DNA automobilístico.

Teve drama. Teve luta. Teve madrugada no box. Teve acidente e alívio. Teve chuva e sol. Teve vitória da prata da casa. Teve pódio duplo brasiliense. Teve emoção que só quem sente gasolina no sangue entende.

E, acima de tudo, teve o renascimento de um autódromo que voltou para ficar.

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