ENTREVISTA EXCLUSIVA: A mente por trás dos grandes espetáculos: Patrícia Colaviti consolida Brasília como Capital dos Esportes de Combate

Patrícia Colaviti está à frente dos maiores eventos de boxe e kickboxing profissionais da América do Sul (foto: arquivo pessoal)
Quem enxerga o brilho dos refletores e a adrenalina pura dentro do ringue muitas vezes não imagina a engrenagem gigante necessária para fazer um show de lutas acontecer. No Brasil e também no Distrito Federal, esse trabalho de bastidor tem nome, sobrenome e uma assinatura inconfundível de liderança: Patrícia Colaviti. Reconhecida nacionalmente como uma das promotoras mais influentes e atuantes do país, Patrícia é uma das força motriz que vem transformando a capital federal em uma verdadeira potência dos esportes de combate. Atuando como Presidente do Boxe do DF, ela transita com maestria entre a gestão institucional e o coração dos grandes espetáculos mundiais, assinando a produção de marcas consagradas como o WGP Kickboxing e as aguardadas etapas do lendário K-1 Brazil.
O respeito e o prestígio que desfruta no meio não são por acaso. Construídos com base em anos de dedicação integral à “nobre arte”, Patrícia cultiva uma relação de profunda cumplicidade e amizade pessoal com verdadeiros ícones das lutas, como os campeões mundiais e olímpicos Robson Conceição e Hebert Conceição. Essa rede de respeito mútuo chancela sua habilidade em trazer cards espetaculares e infraestruturas de nível internacional para o público candango. Agora, os olhos do esporte se voltam para a terceira edição de sua principal criação autoral: o Boxing Pro Combat (BPC 3). Em um bate-papo exclusivo com o portal DF Esportes, a promotora revela os bastidores do evento que agitará a AABB Brasília na próxima sexta-feira (6), analisa a importância histórica de trazer uma disputa de título internacional da WBO para a cidade e detalha os desafios de projetar o boxe brasileiro para o mundo. Confira a entrevista completa a seguir:
DF Esportes: Como surgiu a ideia de criar o Boxing Pro Combat e qual é o principal objetivo do evento?
Patrícia Colaviti: A ideia do BPC nasceu da nossa inquietação e do desejo profundo de dar aos atletas de boxe o protagonismo e a estrutura profissional que eles realmente merecem. Brasília e o Brasil transbordam talentos, mas faltavam palcos consistentes que servissem de vitrine internacional. O principal objetivo do Boxing Pro Combat é ser esse acelerador: criar um ecossistema forte onde a base — como fizemos com foco no boxe olímpico na nossa segunda edição — possa evoluir até o topo do ranking profissional, transformando a capital federal no principal polo da luta no país.
DF Esportes: Esta é a terceira edição do evento. Como você avalia sua evolução e o que mudou desde a primeira edição?
PC: A evolução tem sido extraordinária e muito veloz. Na primeira edição, queríamos provar que Brasília tinha público e potencial para o boxe de alto nível. Na segunda, consolidamos nosso compromisso com o esporte de base e o legado olímpico. Agora, no BPC 3, nós atingimos a maturidade máxima: escalamos o evento para trazer três disputas de cinturão simultâneas na mesma noite — incluindo um título internacional —, além de garantir uma transmissão gigante pelo Canal Combate no Brasil e pela ESPN nos Estados Unidos. Saímos de uma grande promessa local para nos tornarmos um dos maiores eventos de boxe da América Latina.
DF Esportes: Qual é a importância de Brasília receber uma disputa pelo Título Latino das Penas, reconhecido pela WBO?
PC: É um marco histórico para o Centro-Oeste. Ter uma entidade da magnitude da WBO (World Boxing Organization) chancelando uma disputa de Título Latino aqui na AABB Brasília eleva o status da nossa cidade no mapa do boxe mundial. A luta principal da Lila Furtado contra a Leiryn Flores coloca os olhos do mundo inteiro em Brasília. Isso prova que os promotores, os atletas e os investidores internacionais confiam na nossa praça e na nossa capacidade técnica de organizar espetáculos do mais alto calibre.
DF Esportes: Quais são os principais desafios para fortalecer e dar visibilidade ao boxe profissional no Brasil?
PC: O maior desafio no Brasil sempre foi a falta de continuidade e de apoio financeiro sustentável. Fazer boxe profissional é caro, exige uma estrutura médica rigorosa, bolsas justas para os atletas e infraestrutura de ponta. Muitas vezes o talento se perde porque o atleta não tem ritmo de luta ou precisa se dividir com outros trabalhos. Nós conseguimos quebrar um pouco dessa barreira no BPC graças a parcerias fundamentais com o Governo do Distrito Federal, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer — com o apoio do deputado Julio Cesar Ribeiro e do secretário Renato Junqueira —, que entenderam que investir no boxe é investir em impacto social e esporte de alto rendimento. Sem essa união entre federações, governo e iniciativa privada, o esporte não caminha.
DF Esportes: Que impacto você espera que o Boxing Pro Combat tenha para o cenário do boxe em Brasília e para os atletas da modalidade?
PC: Eu espero — e já estou vendo acontecer — uma injeção de ânimo e profissionalismo. Para os atletas do card, como o Jonathan ‘Maximus’, o André ‘Hunter’ e o Laysson Canhoto, lutar em um evento televisionado para o mundo inteiro é a chance de mudar de vida, atrair patrocinadores e subir nos rankings mundiais. Para a juventude de Brasília, ver um ginásio lotado, com entrada gratuita mediante 1kg de alimento, serve como a maior inspiração possível. O impacto real é mostrar que o boxe é uma carreira viável, digna, e que a periferia e os projetos sociais podem sim formar campeões do mundo.
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