O fim é Real

Foto: Giovani Leonel

O último dia do ano de 2025 terminou de forma amarga para o Real Brasília. Em comunicado oficial, a Diretoria das Leoas do Planalto anunciaram a desistência da vaga na Série A1 de 2026 e o fim das atividades da equipe feminina, hexacampeã de Brasília.

Os sinais do fim da equipe feminina estavam à vista. A equipe sofreu um profundo desmanche no início da temporada, o que fez o time sofrer para permanecer na elite. No Candangão Feminino, o Real Brasília perdeu o título para o rival Minas Brasília pela primeira vez em sua curta história. Detalhe que as opções no banco de reservas se limitavam a três goleiras e três jogadoras de linha.

Os rumores de que o clube sofreu um Transfer Ban da Fifa praticamente se materializaram, pois desde então o Real Brasília não fez nenhuma contratação. De quebra, perdeu as principais atletas para outras equipes, como a volante Luciana (Atlético-PI), as meias Maiara Santos (Atlético-MG) e Manu Balbinot (Minas Brasília) e a atacante Dani Silva (Juventude-RS).

A equipe Sub-20 também sofreu um baque na tarde desta quarta-feira (31). O técnico da equipe Sub-20, Neto Gaúcho anunciou a sua saída do comando técnico. O treinador foi responsável pelo título candango deste ano e pela conquista da vaga na Copa São Paulo de 2026, onde o time estreia no próximo dia 4 de janeiro diante do tradicional Santos-SP, no estádio Luiz Augusto Oliveira em São Carlos-SP. O substituto será Kaká, que até então foi técnico da equipe feminina no Candangão.

O Real Brasília Feminino deixa o cenário local e nacional na pior hora. Além da representação de uma das sedes da Copa do Mundo Feminina de 2027, o time perderá a bonificação da CBF pela participação na Série A1 (R$ 720 mil) e da Copa do Brasil Feminina (R$ 80 mil). Isso sem falar no incentivo promovido recentemente pelo GDF ao esporte pelo Plano de Apoio ao Futebol do Distrito Federal – PAFDF com valores que poderiam chegar a R$ 8 milhões.

Confira abaixo o comunicado da Diretoria do Real Brasília sobre o fim da equipe feminina. Com a desistência das Leoas do Planalto, a vaga na Série A1 de 2026 poderá ser ocupada pelo Mixto-MT, sexto colocado do Brasileirão da Série A2 deste ano. A outra vaga que foi materializada com a desistência do Fortaleza-CE devera ser ocupada pelo Vitória-BA:

Nota Oficial

O Real Brasília, em 2019, foi procurado por atletas que não possuíam clube para disputar o Campeonato Feminino. Após estudos internos, o clube aceitou estruturar a modalidade, formando uma equipe que se sagrou campeã do Distrito Federal já em seu primeiro ano de competição, feito que se repetiu por seis temporadas consecutivas.

Essa decisão foi tomada em prestígio ao futebol feminino, mesmo não havendo, à época, obrigação regulamentar para a manutenção da modalidade, uma vez que o clube não disputava competições nacionais no futebol masculino.

Assim, já em 2020, o Real Brasília disputou o Campeonato Brasileiro Feminino Série A2 e obteve êxito na classificação para a Série A1 (Primeira Divisão do Campeonato Nacional Feminino), na qual se manteve por cinco temporadas consecutivas, inclusive garantindo o direito esportivo de participação na Série A1 em 2026.

Ao longo dessa caminhada, o clube enfrentou inúmeros desafios e barreiras, entre eles episódios de difamação injusta que lhe causou severos prejuízos, o período da pandemia de COVID-19, no qual todos os contratos e salários foram mantidos rigorosamente em dia, e, mais recentemente, uma apenação aplicada sem que tivesse sido assegurado o elementar direito de defesa. Tais situações estão sendo enfrentadas com as medidas administrativas e judiciais cabíveis.

No entanto, apesar de inúmeras diligências realizadas na busca pela manutenção da modalidade, o clube se encontra diante de impasse insuperável, pois não obtivemos a continuidade do patrocínio master, o que torna inviável a participação do Real Brasília no Campeonato Brasileiro Feminino Série A1 na temporada de 2026.

Mesmo reconhecendo a importância da modalidade e às vésperas da realização do Campeonato Mundial de Futebol Feminino no Brasil, somos forçados, pelas circunstâncias, a tomar essa difícil, porém responsável, decisão.

Registramos nossos mais sinceros agradecimentos a todas as atletas, profissionais, comissões técnicas e colaboradores que contribuíram para essas relevantes conquistas, incluindo a permanência por seis temporadas na Primeira Divisão do futebol feminino nacional, reconhecendo a competência e a excelência do trabalho desenvolvido por esses profissionais, que deixaram marcada a presença do Real Brasília no cenário do futebol feminino local e nacional.

Que tenhamos todos um ano de 2026 pródigo de bênçãos e conquistas.

Cordialmente,

Real Brasília Futebol Clube

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